26 de março de 2010

(in)formações de Cuamba - II

Um destes dias fomos até à Escolinha do Cruzamento (Mitucué) ensinar às monitoras e às mãmãs como se faz uma sopa. Nas comunidades não se faz sopas, as crianças pequenas comem papas (de farinha de milho e açucar) e quando vão crescendo passam a comer fruta, batata, mandioca, maçaroca, arroz etc...
Este ano temos como um objectivo, melhorar, enriquecendo a nível nutricional, os lanches das crianças nas Escolinhas. Utilizamos os legumes que saiem em cada época das suas machambas.

Neste dia juntaram-se muitas crianças e mãmãs da comunidade, e enquanto a sopa se ia cozinhando, por ali ficámos toda a manhã em conversas acompanhadas das nossas tradições. Gosto de ter tempo para ficar assim nas comunidades, poder estar. (A Beatriz também se sentou ao meu lado e ajudou-me a preparar as folhas de mandioca)
A sopa
Preparativos:
- apanhar lenha para fazer fogo;
- cada mãmã traz 1 ou 2 legumes que tenham em casa.
Receita:
Coloca-se água a ferver com bastante antecedência porque demora a fazê-lo;
Descasca-se a mandioca e tenta-se cortá-la em pedaços pequenos;
Separa-se as folhas de mandioca e tira-se os "fios" das folhas de abóbora;
De seguida corta-se os grãos de milho da maçaroca e junta-se tudo numa bacia grande;
Quando a água já está a ferver coloca-se o milho e a mandioca já preparada acrescentando 2 tomates, óleo e sal a gosto (para uma experiência autêntica: muuuuuito sal).
Deixa-se cozinhar cerca de uma hora e no fim junta-se as folhas de mandioca e abóbora que acabarão por cozinhar rápido, rápido.

Aqui está uma sugestão "gastronómica" para o fim-de-semana:
Bon Appétit!!

25 de março de 2010

(in)formações de Cuamba - I

Hoje terminou mais uma formação de Supervisores de Zona do projecto das Escolinhas.

- As 17 Escolinhas, que estão em funcionamento, existem pela província do Niassa que tem mais ou menos uma área de 120mil Km2. E conto-vos de viagens em estradas de terra onde se faz cerca de 50km por hora, nos dias sem chuvas. Nestas condições não é muito fácil estar perto e orientar todas elas. - Assim, este ano, criou-se lugares de supervisores em diferentes zonas do Niassa para a ponte entre a coordenação e as Escolinhas ser mais utilizada e mais eficaz.
Os supervisores, são pessoas das comunidades locais, sendo que alguns já estão no projecto faz muitos anos. É uma aprendizagem que vai sendo feita em passinhos de bébé... mas não deixa de ser feito caminho; e estes passos não deixam também de ser importantes porque aqui as pequenas coisas têm um impacto real, vividas como grandes conquistas.
Reflectir com eles sobre métodos e técnicas de ensino que se desviem um pouco da aprendizagem por repetição, é um gigante desafio que me pede que desconstrua muitos dos meus "sensos-comuns" e que busque uma criatividade imensa para ir adaptando-me e conseguir acompanhar a construção desta compreensão.
Está a exigir muito de mim, mas a oportunidade de trabalhar e crescer em conjunto com as pessoas das Escolinhas dá-me um gozo enorme. Por vezes até tenho a sensação que estou a crescer orientada por uma grande ligação à terra, mas ao mesmo tempo de forma libertadora;
sinto que é quase como se eles guardassem um segredo dos seus antepassados - um grande conhecimento - e que agora me estivessem a iniciar num ritual para mo passarem.
Estou com sono já.

Hoje terminou mais uma formação, de tão cansada a minha cabeça já foi dormir.
Boa Noite *

11 de março de 2010

Parabéns Mummy


Hoje a minha mãe faz anos!
Beijinhos muito grandes

Chuaaaaaaaaack ***

10 de março de 2010

Actualizando...

Queridos amigos,

espero que ainda não tenham desistido de me procurar neste lugar. Vou continuar a aparecer mesmo que às vezes pareça que ando muito escondida.

Em Cuamba os dias têm sido muito cheios de coisas para fazer e quando o sol se põe já estou tão cansada que torna-se complicado actualizar as minhas histórias aqui.

Assim, e para não bloquear com tanta coisa que vos quero escrever, hoje deixo-vos umas quantas imagens do que tenho vivido por aqui. A qualidade não é a melhor, se soubesse escolher as palavras certas para descrever o que vejo aqui...

Liguem as colunas e recebam este bocadinho de mim.

Kwaheri

31 de dezembro de 2009

Sorrindo


Feliz Ano Novo!!!

27 de dezembro de 2009

Centro Nutricional

Salama queridos amigos!

Quero começar por agradecer às pessoas que têm vindo visitar-me a este lugar e que me têm deixado mensagens tão boas que sabem a abraços de verdade. Vou continuar a escrever-vos: Sikomo!

Hoje deixo-vos imagens do meu dia de Natal, que foi partilhado com estas mãmãs e as suas crianças.
O Centro Nutricional está agora com 14 crianças
que estão acompanhadas por familiares. Existem muitas crianças orfãs que são adoptadas pelas avós ou irmãs ou então por vizinhas da comunidade. Infelizmente aqui ainda morrem muitas mulheres após o parto, o serviço de saúde prestado é fraco e o número de técnicos é muito reduzido para esta população.

Nestas comunidades do Niassa ainda se vê muitas crianças subnutridas, com a barriguinha inchada, principalmente nesta altura em que se começa a trabalhar na machamba (horta). Como ainda não há verduras as pessoas só se alimentam de Xima (uma papa de farinha de milho com água) e o que acontece muitas vezes é que o leite das mães seca e elas acabam por alimentar os filhos com esta papa que não tem os nutrientes que precisam.

Numa cultura matriarcal, em que as mulheres assumem o trabalho, o acompanhamento das crianças e o cuidado da casa, as moçambicanas são de uma força e resistência admirável.
E apesar desta pobreza, em que nada possuem a não ser a sua palhota e duas ou três capulanas, têm uma alma tão generosa que ultrapassa qualquer conceito de existência que eu tivesse antes de as conhecer. Mesmo tendo quase nada, dão e acolhem sempre partilhando o seu tudo.


24 de dezembro de 2009

Christmas time - II

Hoje de manhã fui visitar os presos da cadeia civil de Cuamba. Estava um pouco assustada com o que iria encontrar... mas foi talvez uma das experiências mais especiais que tive desde que cheguei a Cuamba. Acreditem que consigo igualá-la aos momentos em que fico a olhar o céu daqui.
Os prisioneiros tinham preparado, e ensaiado muito bem, uma cerimónia de Natal, e nem vos consigo explicar a vida daquelas músicas... cantaram de peito cheio de voz Macua, traziam as saudades da família e as melodias mais bonitas das tribos dos seus antepassados.
Senti a imensidão do céu e o poder da terra, fui todas as sensações que me tornam tão feliz de viver assim.

O bacalhau já está a cozer! Uma noite boa da Família**